Encerramento [2008]

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Pessoas,

Agradeço aos amigos e visitantes anônimos que aparecem no limite da minha frágil realidade e mais tenra loucura.
Geralmente o ser humano somente se faz existir por manifestações.
Por isso, tenho dúvidas que vocês realmente existam.
Devo estar migrando para esquizofrenia.
Mas isso não importa.
Conviver com o silêncio também se tornou um hábito este ano.
Entretanto, as vozes de alguns de vocês ecoam no meu íntimo.
Alguns pedaços de vida estão nestes poemas ou frases soltas.
Um ano muito estranho.

Como um presente [ou tortura] revisei os [poemas e prosas] deste ano.
Alguns tem modificações atraentes, outros ficaram mais obscuros e, por fim, alguns estão intactos.
Acho que estão transitoriamente acabados.
[Melhor. Estou transitoriamente "satisfeito"].
Espero que algumas das minhas palavras tenham se misturado a fatos corriqueiros de suas vidas.
O melhor é realmente quando elas tomam vida.

Aceito a condição de escrever para me situar no mundo com algum medo.
Um bom caçador acharia presas fáceis dentro destes contos ou poemas.
Entretanto, é a única forma de expor algumas detalhes que provavelmente não sairão de outra forma.
Cada verso é destinado.
A um. A vários.
A [chave] está nas mãos de quem precisa entrar.
É a maneira de dizer que estou aqui para ser encontrado.

Espero contar com a companhia [mesmo a incerta] por mais alguns passos.

[Raposa Noturna].

Maturidade

quarta-feira, dezembro 24, 2008

É difícil ser adulto hoje em dia.
Pudera.
Com tantas bobagens a disposição e comerciais dizendo o que fazer a cada hora do seu dia, é complicado manter alguma originalidade.
Google. Nokia. Phillips. Brastemp. Casas Bahia. Sadia. Mc Donald's. Lacost. Nike. Adubo.
Ah, claro.
Ser adulto, acima de tudo é um ato de originalidade.
Discordava até o ponto que concordei um dia.
Meu pai já me dizia [nos dias de sermão] que o diabo era um padeiro assíduo e ele freguês rotineiro.
Optar entre trabalhar para comer e comer para trabalhar envolve uma originalidade sobrecomum.
Mas claro, meu amigo.
Não contarei contos da carochinha.
O original também envolve pagar contas.
Que crianças seríamos nós para acreditar num mundo sem contas?
Uma enorme dívida herdada por um mundo esvaziado das peraltices mais comuns.
O revés também é oco.
As poucas [crianças com dinheiro] são bestas com poderosas armas de destruição.
Essas derrocadas vidas inúteis não tem nada de orginal.
Aliás, seus roteiros estão escritos e reescritos nas colunas de jornais.
Ou em alguma novela da moda.

O mundo precisa novamente de adultos.
Procura-se os que abandonem os seus ritos infanto-sociais.

Exorcizem o Deus "Google".
Ele tudo sabe.
Menos o que você necessita saber.
O "original".
Deixai vir a mim os adultos.
Pois deles é o reino da terra.
Nada mais.
Nada menos.

Prelúdio a Era das Ironias

domingo, dezembro 21, 2008

Então, meu nobre, que apontes a mudança inevitável da nossa Era.
Quando a primeira grande mudança se opera nos bastidores.
Para uma mudança bela o sangue deve esvair em seu vermelho rubro.
Mesmo que a primeira gota se liberte de suas veias.

A Era das Ironias inícia em longas madeixas.
Prosas. Asneiras. Tristezas. Certezas.

Revolução Solar

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Mais um ciclo se completa.
E as velhas perguntas se tornam mais presentes.
Porém os pontos se controvertem.

Em não sendo tempo de amor.
E a sorte do jogo não me amparando em seus doces lábios.
Restará-me por fim uma notícia de dor somente?

Rejeito esse futuro medíocre.
A insurreição do Poeta sem honra pede o fim das tragicomédias.
Comédia de si.
Tragédia do seu.

Inauguro a Era das Ironias.
Decreto a morte de toda e qualquer forma de culpa.
A partir desta data não nos contentaremos com promessas.
Declararemos guerra perpétua.
As inúmeras formas de prisão.

Ingrata liberdade

terça-feira, dezembro 16, 2008

Estranha sensação de nada se perder.
Apesar de tudo.
Tudo inscrito na normalidade.

Desprezo sensível de uma liberdade.
Triste.
E indesejada.
Condenada a mais uma crise de lucidez.

"Quelqu'un M'a Dit"

É possível que exista.
Uma faminta metáfora encarnada.
Vivendo no meio da gente.
Comendo os restos de sonhos mais doces.
Deitando na nossa cama estreita.

Se esta metáfora aqui vier, pedirei que entre.
Sem qualquer receio de acariciá-la.
Abraçarei-a pela cintura fina de menina.
E em seu ouvido, sussurrarei que sente e espere.
Aguarde sua vez para ceia.

Mas estarei de caso pensado.
Voltarei com algo na mão esquerda.
E olharei bem nos olhos atravessados.
Direi algo ofensivo a sua comparação esguia.
E uma bela rosa amarela espinhada ofereço.

Alguém me disse que é possível enganá-la.
Sinceramente, não renego o amor metafórico.
Tenho medo de duvidar das crenças passadas.
Pois desde criança me ensinam a mentir desse jeito.

Melhor acreditar neste conto da metáfora.
E guardar meus sonhos debaixo do travesseiro.

Contos e Desencontros - 2a edição

Olá leitoras e leitores.

Disponibilizo um "livrinho" que fiz para presentear alguns amigos no fim do ano.
Infelizmente minha atual condição financeira não me permite tirar mais que 20 cópias para a 2a edição.
De qualquer forma, espero que gostem da cópia digital.

"Contos e Desencontros" 2a. edição

Para fazer o download, clique no nome acima e você será levado ao rapidshare. Lá clique em "Free user" (Abaixo do primeiro velocímetro) e depois espere o tempo (alguns segundo) para que apareça uma bolinha azul com o nome download. Clique nessa figura e escolha o local onde salvar o arquivo.

Resolvi acrescentar alguns comentários de amigos sobre o "livrinho" por esses dias. Aliás, bastante animadores:

Iuri - "Esse livro é de meninas".
Henrique - "É um diário de adolescente? Tá contando o dia a dia deles?". Não satisfeito, emendou: "Parece muito com [A Moreninha]. Seu estilo é Alencariano e está atrasado uns duzentos anos".
Thaianna - "Baixei e guardei, pra ler algum dia..."


Todavia um reflexo...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Há seres que vivem fora de si.
Num constante transe insustentável.
Em algum lugar que se distancia do chão.
Mas que também não permite tocar o céu.
Perdido nas moradas profundas do que ainda não se previu.
Preso a toda nua carne do cotidiano pesado.

Há seres que vivem fora de mim.
Não os temo, todavia.
Apenas os alimento.
Com tudo aquilo que consegue chegar muito perto do meu corpo suspenso.
Mente insana.
Meu cheio. Meio vazia.

Há um ser que precisa ser encontrado por mim.
Está nos espelhos.
Em negro.
Talvez.
Em detalhes.
Pouco interpretável.
Impenetrável.