Distinção

domingo, janeiro 25, 2009

Uma estranha sentenciou minha alma.
Cão sem Dono.
Compreendi melhor meu silêncio.
Já não é tão tola a minha convicção.

Prismas

sábado, janeiro 17, 2009

Não se pode colorir o destino sem uma dose de sinceridade no copo.
E esta [curiosamente] ainda me falta durante um bom trecho da estrada.

Contudo.
Um pedaço [inútil] de vidro revela o que, de fato, enxergamos sem qualquer sensibilidade.
A origem de qualquer cor [leia-se no trecho todos os fatos surpreendentemente humanos] está no "preto" e no "branco".

A rígida ausência.
Daquilo que não foi.
A completa presença.
Daquilo que se permitiu.
A gravidez incestuosa.
Daquilo que apenas acontece.

Movimento da vida.
Cataclisma dos primas.

Aleatória

sexta-feira, janeiro 16, 2009

O jogo já acabou.
As regras estão colocadas.
A primeira. Principal. E única discutível.
Você não faz as regras.
Você expõe o concreto.
E espera que algo aconteça.
Assim lhe apresento as sutilezas.
Há porém uma regra em benefício da dor.
Um dia. Até que se prove o contrário. Tudo acaba.
Pela primeira regra esta última se torna necessária.
Mas afinal contarei-lhe o essencial.
Além da regra principal se esconde, em sua sombra, a regra acessória.
O mundo deve ser feito das convicções e da aleatória.
As convicções são relativas.
Todo mundo possui. Algumas impróprias. Outras trajadas em dúvidas.
Porém a aleatória é plena e absoluta.
Por isso não se constitui em regra.
Em outras palavras, não tem exceção.
E seu único corpo palpável é conviver como se fosse uma mera acessória das convicções.
Convicção e aleatória formam um par.
Quase imperfectível.
As demais regras são desnecessárias para todos jogarem.
Por isso, podem então todos contrariar a regra principal.
E criar suas próprias regras.
A exceção está feita. E confirma a regra principal.
O que me move. Mais do que minhas convicções.
É a nossa aleatória.
Nosso elo perdido da existência.
Meu destino é um consciente acaso.
Um descaso com a própria vida.
Um olhar na esquina.
Um relance melancólico.
Um momento.
Em que penso que tudo posso criar.

P.S.

domingo, janeiro 11, 2009

Escrevo o mais importante no 'post scriptum'.
Sei que as pessoas não esperam os meios para chegarem ao fins.

Ps: Tenho medo de misturar ao texto aquilo que deve ser direto o bastante para que eu também entenda. Meu sarcasmo me consome inteiramente. Não preciso ser eloqüente para demonstrar minha dor. E meu amor.

Crime e Castigo

Estou a praticar crimes na fronteira.

Acordo sem sono às 6 horas.
Me conformo com as regras de português.
Dou bom dia a todos que não me olham.
Respondo gestos de aprovação por reflexo.
Almoço coisas saudáveis e verdes.
Não paro de trabalhar até às 5 horas.
Assisto aos últimos capítulos da novela.
Deito às 10 horas religiosamente.
Rezo para alguém [que nunca vi] para que esta vida não mude.

Minha prisão não precisa ser decretada.

Abertura [2009]

Convenções.

Fogem a tudo definível como certo e errado.
Mas sobretudo se encontram naquilo que não pertence a esse mundo.
Penetram sem qualquer reflexão.
Movem-se nas bocas e gestos sem doer ou dar prazer.

Estou a praticar mais uma convencional.
A abertura daquilo que não tem começo.
Nem fim.

Não me sinto mais feliz em virtude dessa consciência louca que nos traz tantos problemas.
Apenas o desloco pra um lugar bem definido.
Cativo.
Impenetrável.

Bem vindos.
Amigos, Amantes, Desafetos, Desconhecidos e Incertos.
Nossa estrada é longa.