Deslizando os dedos sobre o desgaste da palavra.
Acalento essa sensação que não mais me pertence.
Perdeu-se entre tantas outras preciosidades.
Às horas menos saudáveis da madrugada.
Meus traços estão menos baratos.
Pois meus sonhos são menos doces.
Porém não menos sonhos-sentidos.
Soprando um desejo retomado em ritmada latência.
Visto de cima.
O acabamento está envelhecido.
Revestido de cor maduro-madeira.
Polido numa borda arredondada.
As velhas amarras me parecem mais infantis.
Dança envolvente das palavras.
O complexo da sintaxe decifrado.
Sentimentos urgentemente expressados.
Meu caráter parece mais sincero.
Sorriso menos gasto.
Voz mais firme.
Desejo rubro do conquistar.
O "meu" mais definido "eu".
A minha obra de arte é concreta.