Recompasso

terça-feira, março 24, 2009

Estranho como sentimentos passados.
Que permanecem por décadas enterrados.
Rezados e embalsamados no inconsciente.
Podem ressurgir como rebentos frutificados do ventre da terra.
Como ícones lúdicos e irritantemente alegres.
Tomam o seu pulso e certificam se você é que ainda vive.
Pois da sua vida compartilham demasiadamente.
"Ainda".
Por alívio ou desespero.
Das tormentas às brisas do final de tarde.
Não se sabe se irrompe dos sonhos ou lágrimas.
Mas a sua dor enlaçada nos cabelos é bem conhecida.
Os sorrisos oferecidos bem familiares.
A saudade parece querer rebentar de qualquer parte do corpo.
Tornando irreal àquilo que deveria ser apenas uma passageira mensagem.
Ligeira miragem.
Paisagem distante.
Por hora. Contexto. Desejo.
Estranhos sentimentos passados.
Que se fazem pecados ainda em meu presente.
Feliz destino ainda ter que admirá-los.

Amor à outono.

quinta-feira, março 12, 2009

Na dança de agosto encontrarei o além de mim.
Libertada numa profecia pelo Pôr-do-Sol.
E em raios pródigos fulminara a última sombra deixada na morada elegante da solidão.

Previra a lua crescente a se exibir na noite encolhida em poucas nuvens.
Pela mais teatral estréia de uma artesã dedicada e reservada ao menos óbvio.
Gestos compridos para acalentar o tempo em que só provocara.

Mãos dadas aos meus sentidos caminhando ao infinito do incerto e complexo...
Retoma-me ao menos para trazer de volta toda a incerteza que expurgara do meu ventre.
Incomoda. Toca. E Intimida.
Intimista.
À gosto.