Adeus, Pierrot.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Prefácio

Eu admiro essas linhas latentes.
O triste relato, retrato Pierrot.
Contudo é um escrito inacabado.
Corrijo-me de fato.
O triste retrato, relato Pierrot.
Ficam as entrelinhas.

Ato I

Está escrito um bilhete de despedida.
Pois, Pierrot é minha única face suicida.
Uma inconsistência de mim, eu diria.
Uma máscara íntima.
Que finge não necessitar de Arlequim ou Colombina.
Porventura, repito no inconsciente.

"Um verso pequeno me atormenta.
Aos olhos ligeiros assemelha a um ditado comum.
Brota ao reverso de um comportamento inocente.
Receio que o cultivo em impaciência.
E este desconforto desnatura minha virtude em si".

Ato II

Comer o coração de Arlequim é em primeira medida.
O seu maior desejo, Pierrot, e única despedida.
E ao fim, tornar-se Arlequim ao matar de fato.
A triste figura do Pierrot antropofágico.
Mas quem beijará Colombina?
O Pierrot morto ou o Arlequim em vida?
Destino tragicômico, Pierrot.
Perguntar o que está implícito.
Há algum tempo não faz sentido.
Pois, repito no inconsciente.

"Interpreto um Pierrot reticente.
Por vários olhares permiti alcançar as múltiplas faces.
Daquilo que me incomoda de uma maneira peculiar.
Pierrot está morto antes mesmo de tentar.
E com ele todos os meus sonhos impertinentes".

Bilhete

"O que eu quero eu não desejo mais.
Pois desejo mais o que não quero".

Sangue de Pierrot em letra morta.

Posfácio

Permito-me rejeitar a sua essência Pierrot.
Pois, o seu amor é impossibilidade de amar por mim.
Pierrot deve morrer sem dor.
E sua lágrima ao canto dos olhos tristes.
Firmará um horizonte diferente para uma Colombina inconsciente.
De que Pierrot jaz em um Arlequim.

"Pierrot está morto.

E sua liberdade será escrever um poema.
Sem Arlequim ou Colombina.
E sem um Pierrot".

Requiem em Blues

sexta-feira, setembro 25, 2009

Se por infortúnio fosse condenado a viver em trabalho.
____[coincidência]__________________[explorado].
E as amarras fossem atadas ao meu íntimo como um cárcere.
_[conveniências]______________[cotidiano]__________.
Um colapso interior ocorreria a cada passo.
__[desconforto]________________ [ato].
E as aparências me arrastariam a profundidade do estranhamento.
___[desistências]_________________________ [contentamento].
Longe deste horizonte eu me intensifico.
___________[limite]_________[recrio].
Não morreria subjugado nesta miserável existência.
____[viveria]_____________________[consciência].
Teria prazer em ser ingrato ao rejeitar essa falsa liberdade.
________________[liberto]____________[mediocridade].
E no momento de encontrar a mim mesmo.
___[sentimento]_________ [a nós mesmos].
Sentiria-me por um instante mais completo.
__________________________ [completo].

Talvez

sábado, setembro 19, 2009

Talvez em algum domingo.
Pouco antes da curiosa fantasia do povo circular de boca em boca.
E daquela bobagem apocalíptica ser tomada de assalto por cordéis rendados.

Talvez neste tempo.
O [nosso] canto assobiado na rua soará como incandescente repente ao invés de um incessante lamento.
E o velho anonimato rotulado das pessoas pré-fabricadas.
Cederá pouco a pouco a idéia profana de uma audaz autoconsciência declarada.

Talvez, neste dia.
Ousarei admitir que a vida, sem perecer a tentação da morte, é a essência dos [nossos] contos.
Escritos sem cerimônia em caixa alta e bom som.

E naquele pôr-do-sol fatídico.
[Finalmente] traduzirei [algumas] de suas entrelinhas.

Parte acaso determinado.
Parte desejo alimentado.
Parte de um intransigente [nós].
Um detalhe mascarado de sorriso.
Um verso improvisado em cada esquina.
Um olhar que não permite estar só.

Mensageiro

segunda-feira, setembro 14, 2009

Sossega.
O tempo leva...
E se encontra.
Somente deixe a porta aberta...

Mantra

domingo, setembro 13, 2009

Que saiba a silente escuridão.
A eloquente luz é seu mais belo par.
Pois, quanto mais densa se torna uma.
Em maior realce a outra estará.

Elegante valsa romântica.
Mãos dadas em incerta caminhada.
Onde a escuridão se faz infinita.
A caprichosa luz nunca a deixa solitária.

Correspondência

sábado, setembro 12, 2009

Então, fico neste ponto.
De encontro, “passageiro”, incontroverso e lisonjeiro de uma palavra.
Num futuro, recortado em pele longa, viverá, por uma espécie de carta a esperar...
Por um sentir-olhar-sorrir....

Estranhamente inculto.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Perceba, antes que ocorra o acaso.
A poética não se presta às farsas dramáticas.
Evita os antigos conselhos e as incrustadas tradições.
Bebe às altas horas cantarolando a morte.
E rosna para as ironias que latem na esquina.
Foge à léguas dos pares românticos.
Usa roupas decotadas revestidas em escândalo.
Flerta com arte.
Transa com a moralidade.
Deita com o povo.
E xinga a Deus.
Acorda virgem imaculada para ser despida e usada.
E ainda que calada se insinua com volúpia.
Nina as crianças mais chorosas em dolorosa penumbra.
Comete infanticídio e incesto ao sétimo dia.
Decompõe seus restos em cova rasa.
Reza por seu corpo e ressuscita por profecia.
A poética é mulher madura.
Não se revela até ser conquistada.
Acariciada nos longos cabelos.
Beijada em corpo inteiro.
Até que se desapareça todo sentido.

Reticências

terça-feira, setembro 08, 2009

Essa sensação.
Há tempo não era presente.
Aguardar.
Por sorte ou azar.
Reticências.
Ao largo de um ponto final.

Palavras...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Faz tempo que não escrevo por mim mesmo aqui.
Um coisa positiva é a certeza que vocês me visitam.
Sinto-me menos esquizofrênico, preciso comentar.
Percebi que a principal matéria-prima deste lugar tem sido a frustração e a inércia desde o começo do ano.
Apesar de uns lapsos de sanidade em alguns trechos ou um apelo ao passado retirado do "Sobre As Teses da Superficialidade", a tônica é essa sensação solitária.

E os poemas escritos, até agora, foram mais reflexo do que um ato...

Já estamos em setembro, dois terços do ano para trás.
Finalmente esbocei um pequeno sinal de descontentamento com a situação.
Desconforto.
Antes tarde do que mais tarde. Teremos mudança nas regras da casa.

Nem tudo são limitações.
Encontrei uma parceira de escrita. No seu "Frente e Versos" me sinto a vontade para afluir.
Uns dias atrás encontrei uma outra moça de bastante talento. Fiquei animado ao escrever para ela e satisfeito nos versos escritos. Aproveitarei a sua criatividade e a chamarei de "Poetisa Anônima". Espero escrever com você algum dia também.

A companhia liberta do fardo pesado.

Não sei se tinha comentado, mas estou trabalhando na "Elegante Morada da Solidão". Um conto maior (espera-se) que o "Contos e Desencontros". Estava com algumas dificuldades de desenvolver o enredo e pedi ajuda aos universitários (Juliana certamente fará um comentário ácido, áspero e me chamará de "homem fraco". É justamente o que preciso).
Também acertamos um trabalho conjunto. Barganhei uma morte. Mas não terá facadas ou sangue. Três atos em roteiro de peça. São as regras. =D

E assim Camaradas.
As jogadas foram feitas.
Nos vemos por essas esquinas.
Em outros versos.

Alencariano

terça-feira, setembro 01, 2009

Nasci com uns trezentos anos nas costas.
Um fato incomum para um pequeno nesta vida.
Isso rendeu de um amigo íntimo o título de "Alencariano".
Sentença imposta com um sorriso brando.
Felicidade incontida de difícil expressão.

Velhice impediu de aderir de imediato.
Mas ao reler inúmeras vezes o meu espelho.
Foi impossível contestar tais fatos.
Por certo, preferia Gregório.
Só me falta mais acidez nas palavras.

Estilo antiquado. Improvisado, sobretudo.
Minucioso nos infinitos detalhes.
Versos permissivos infamantes.
Temperados por cafonices de todo gênero.
Constante revisão que desnatura o verso.
Comportamento psicótico, obsessivo e esquizofrênico.
Parindo paradoxo instantâneo.
Heterogêneo.

Mas estou a confessar
Uma peculiar dificuldade.
Novos tempos são difíceis.
E ao menos neste momento.
Adaptar é andar para trás.

E de regresso eu estou farto.
Faltam emoção e poesia.
E alegria está disposta.
Sobreposta em um padrão.
O original está em falta.
E tudo mais.
Em franca "liquidação".

Se terei que viver no passado.
Não renderei minhas convicções.
Alencariano, assim eu serei.
Com um desejo Gregoriano.
Apontarei para fora do tempo.
E meu futuro do passado.
Será diferente desta pedra lascada.
Traduzida como presente.