Estrada da Perdição

sexta-feira, abril 10, 2009

É bom se perder de tempo em tempo.
Pois, neste momento, perdido pode estar.
Quem não admite que por ventura se perdeu.

Difícil traduzir que encontrar é dar as mãos a perdição.
E com ela caminhar.

Erva daninha

Quando a tristeza é inspiração.
Melhor consumí-la depressa.
Matéria-prima arredia.
Se espalha como daninha.
E acaba por sufocar o verso.

Presságio

É preciso abandonar depressa os laços.
Mesmo aqueles que emendamos com cuidado.
Antes que se prenda a alma em desespero.
Por não estar segurada a outra ponta.
Do outro lado somente a mesma sombra.
Onde não se distingue silhueta.

Síncope

quarta-feira, abril 08, 2009

Achei-me em rua aberta.
Em alguma estrada que não me pertencia.
Rosto embebido em penumbra.
Olhar reluzente todavia.
Mudou o rumo e o vento.
Minhas derrotas, mesmo as honrosas, estão inevitavelmente antiquadas.
E sinceramente me pergunto.
Quando me perdi no caminho do contentamento?
Deixei escapar por este instante.
O que me tornara realmente autêntico.
Coloquei-me a andar.
E algo mudara.
Sem constragimentos.
Imperceptível.
Eco sem lamento.